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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
Cuidado com as penitências absurdas na Quaresma
Postado Por
Unknown,
AS
14:03
Quaresma é tempo de lutar contra nossos pecados, pois
ele é a pior realidade para nós. O Catecismo diz: “Aos olhos da fé, nenhum mal
é mais grave que o pecado, e nada tem consequências piores para os próprios
pecadores, para a Igreja e para o mundo inteiro” (n. 1489). Olhando para Jesus,
desfigurado e destruído na cruz, entendemos o horror que é o pecado. Foi
preciso a morte de Cristo para que nos livrássemos do pecado e da morte eterna,
a separação da alma de Deus. Então, a Igreja nos propõe 40 dias de penitência,
de resistência contra o pecado na Quaresma.
Convite à conversão
O primeiro convite é à conversão, é um alerta contra
a superficialidade de nossa maneira de viver. Converter-se significa mudar de
direção no caminho da vida: uma verdadeira e total inversão de rumo. Conversão
é ir contra a corrente, contra a vida superficial, incoerente e ilusória, que
frequentemente nos arrasta, domina e torna-nos escravos do mal ou pelo menos
prisioneiros dele. Jesus Cristo é a meta final e o sentido profundo da conversão;
Ele é o caminho ao qual somos chamados a percorrer, deixando-nos iluminar pela
sua luz e sustentar pela sua força. A conversão é uma decisão de fé, que nos
envolve inteiramente na comunhão íntima com a pessoa viva e concreta de Jesus.
A conversão é o ‘sim’ total de quem entrega sua vida a Jesus pela vivência do
Evangelho. “Cumpriu-se o tempo e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e
crede no Evangelho” (Mc 1,15).
Penitência não é para
fazer mal
Para vencermos a nós mesmos, nossas fraquezas e
paixões desordenadas, a Igreja recomenda, sobretudo na Quaresma, o jejum, a
esmola e a oração como “remédios contra o pecado”, a fim de dominar as
fraquezas da carne e aproximar-se de Deus. Portanto, não se deve fazer uma
penitência exagerada, uma mortificação que leve a pessoa a ficar doente ou a se
sentir mal. O jejum exige, sim, passar um pouco de fome durante o dia, mas sem
causar mal à pessoa, sem tirar a sua condição de trabalhar, rezar etc.
Saber calar pode ser
uma boa penitência
Há formas boas
de mortificação, como cortarmos aquilo que nos agrada, seja para o corpo ou
para o espírito, mas há pessoas que fazem excessos: peregrinações longas
demais, penitências até com feridas, prejudicando a saúde. Deus não quer isso,
Ele não nos pede o impossível.
Qual
mortificação eu preciso fazer? É aquela que abate o meu pecado. Se eu sou
soberbo, então minha penitência deve ser o exercício de humildade: vencer todo
orgulho, ostentação, vaidade, exibicionismo, desejo de aparecer, de impor-se
aos outros e saber calar. Se seu pecado é o apego aos bens materiais e ao
dinheiro, então eu preciso exercitar muito a boa e farta esmola, o
desprendimento do mundo e das criaturas. Se meu mal é a luxúria e a impureza,
então vou exercitar a castidade nos olhos, ouvidos, leituras, pensamentos e
atos. Se sou irado, vou conquistar a mansidão; se sou invejoso, vou buscar a
bondade; se sou preguiçoso, vou trabalhar melhor e ser diligente em servir aos
outros sem interesses.
Perdoar pode ser mais
importante
São Francisco de Sales, doutor da Igreja, dizia que a
melhor penitência é aceitar, com resignação, os males que Deus permite que nos
atinjam, porque Ele sabe do que precisamos, e assim nossos pecados são
vencidos. A penitência que Deus nos manda é melhor do que aquela imposta por
nós mesmos. Então, aceite, especialmente na Quaresma, sem reclamar, sem culpar
ninguém, todos os males, dores, aborrecimentos e injurias que sofrer, e ofereça
tudo a Deus pela sua conversão. Pode ser que dar o perdão a quem lhe ofendeu
seja mais importante do que ficar 40 dias sem fazer isso ou aquilo. Uma visita
a um doente, a um preso, o consolo de alguém aflito pode ser mais importante
que uma peregrinação demorada. Tudo é importante, mas é preciso observar o mais
importante para a realidade espiritual.
Extraído de:
http://formacao.cancaonova.com/liturgia/tempo-liturgico/quaresma/cuidado-com-as-penitencias-absurdas-na-quaresma/
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
Quarta feira de Cinzas – Lançamento da Campanha da Fraternidade – Tempo da Quaresma
Postado Por
Unknown,
AS
10:39
Quarenta dias antes da Páscoa, a Igreja abre
solenemente o tempo de penitência, chamado Quaresma, em preparação para a
celebração da Páscoa. É a Quarta-feira de Cinzas, entre nós, bastante
prejudicada pelo carnaval. Neste dia, após a Liturgia da Palavra, em que se
proclama o trecho do Evangelho em que Cristo recomenda a oração, o jejum e a
esmola como exercícios de conversão (cf. Mt 6,1-18), realiza-se o rito da
imposição das cinzas. Elas são sinal de penitência, no sentido de conversão. A
conversão consiste, sobretudo, no reconhecimento de nossa condição de criaturas
limitadas, mortais e pecadoras. No gesto de imposição das cinzas sobre a cabeça
das pessoas, o sacerdote ou o ministro diz: “Convertei-vos e crede no
Evangelho”. A conversão consiste em crer no Evangelho. Crer é aderir a ele,
viver segundo os ensinamentos do Senhor Jesus. Pode-se usar também a fórmula
tradicional: “Lembra-te que és pó e ao pó hás de voltar”. Numa das orações de
bênção das cinzas se diz: “Reconhecendo que somos pó e que ao pó voltaremos,
consigamos, pela observância da Quaresma, obter o perdão dos pecados e viver
uma vida nova, à semelhança do Cristo ressuscitado”.
A origem das cinzas usadas tem seu significado. Elas
são preparadas pela queima de palmas usadas na procissão de Ramos do ano
anterior. Lembram, portanto, o Cristo vitorioso sobre a morte. A palma é
símbolo de vitória e de triunfo. Assim, se os cristãos aceitam reconhecer sua
condição de criaturas mortais, e transformar-se em pó, ou seja, passar pela
experiência da morte, a exemplo de Cristo, pela renúncia de si mesmos,
participarão também da vida que ressurge das cinzas.
Aqui vale a pena lembrar uma lenda egípcia. Fênix era
uma ave fabulosa que durava muitos séculos e, queimada, renascia das próprias
cinzas. Foi fácil perceber que ela é símbolo da ressurreição de Cristo e dos
que aceitam viver na atitude de Cristo. Certamente não é fácil aceitar ser
cinza. Contudo, a fé em Jesus Cristo ressuscitado faz com que a vida renasça
das cinzas. Jesus Cristo faz brotar a vida, onde o ser humano reconhece sua
condição de criatura necessitada da ação de Deus. É entrar na atitude pascal.
Esta páscoa se vive na conversão, através dos
exercícios da oração, do jejum e da esmola.
A imposição das cinzas não constitui um mero rito a ser repetido a cada
ano. É celebração da vocação do ser humano, chamado à imortalidade feliz,
contanto que realize o mistério pascal de morte e vida em sua vida fraterna. No
mesmo dia, da Quarta de Cinzas, a Campanha da Fraternidade é oficialmente
lançada. Este ano o tema da Campanha é “Casa Comum, nossa responsabilidade”. O
lema bíblico é “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual
riacho que não seca”. (Am 5.24)
O objetivo é chamar atenção para a questão do direito
ao saneamento básico para todas as pessoas, buscando fortalecer o empenho, à
luz da fé, por políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a
integridade e o futuro da Casa Comum, ou seja, do planeta Terra. A Campanha da
Fraternidade Ecumênica é realizada pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do
Brasil (CONIC) e assumida pelas igrejas-membro: Católica Apostólica Romana,
Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Episcopal Anglicana do Brasil,
Presbiteriana Unida do Brasil e Sírian Ortodoxa de Antioquia. Além dessas
igrejas, estão integradas à Campanha a Aliança de Batistas do Brasil, Visão
Mundial e Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular
(CESEEP). Este ano, a CFE terá dimensão
internacional, pois será realizada em parceria com a Misereor – entidade da
Igreja Católica na Alemanha que trabalha na cooperação para o desenvolvimento
na Ásia, África e América Latina.
CONTEXTUALIZAÇÃO
O Brasil é um dos países com o índice mais alto de
pessoas que não possuem banheiro com quase 7,2 milhões de habitantes, de acordo
com o Progress on Sanitation and Drinking-Water, 2014 (numa tradução livre
significa “progresso do saneamento de água potável” ). Cerca de 35 milhões de
pessoas não contam com água tratada em casa e quase 100 milhões estão excluídas
do serviço de coleta de esgotos, como aponta publicação, de 2015, do Instituto
Trata Brasil. Ainda de acordo com o Trata Brasil, a cada 100 litros de água
coletados e tratados, em média, apenas 67 litros são consumidos. Contudo, 37%
da água no Brasil é perdida, seja com vazamentos, roubos e ligações
clandestinas, falta de medição ou medições incorretas no consumo de água,
resultando no prejuízo de R$ 8 bilhões. A soma do volume de água perdida por
ano nos sistemas de distribuição das cidades daria para encher seis sistemas
Cantareira. Eis o porquê de se falar desse assunto, uma vez que afeta a saúde
pública, a dignidade humana, a sustentabilidade do planeta e, também, a
economia.
Neste tempo de reflexão, somos convidados à oração e
ao jejum. O Papa Francisco também nos chama a fazermos alguma ação em favor dos
mais necessitados, às vezes, se olharmos em volta veremos que há muitas pessoas
perto que precisam de um gesto fraterno. Preparemo-nos, pois, neste período de
purificação e penitência a fim se sermos dignos de receber Cristo.
Conteúdo extraído de: www.franciscanos.org.br e de: www.portalkairos.org/campanha-da-fraternidade-2016
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